BLOG DO MÁRIO ADOLFO
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Ney Matogrosso faz o verão do Rio ferver


(Rio de Janeiro) - Afastado dos palcos há um ano, o cantor Ney Matogrosso retornou neste fim de semana como um furacão ao Vivo Rio com o show “Bloco na Rua” - inspirado na canção imortal de Sergio Sampaio -  que fez o verão carioca ferver. O Blog do Mario Adolfo foi conferir o show e de cara observou que o tempo parece não ter passado para o artista que mantém, aos 78 anos, a mesma performance dos tempos de “Secos&Molhados”, banda que o lançou para o
mundo em 1972 - ou foi Ney que lançou a banda?

Como uma serpente que desliza pelo palco, sob uma pele dourada que revela a silhueta esguia, capuz e sombras negras no entorno dos olhos que destaca o olhar “fulminante”, Ney faz movimentos ousados de um balet sensual arrancando gritos de “lindo”, “tesão”, “maravilhoso ” na plateia, que ocupou os três pavimentos da casa de shows, no aterro do Flamengo.

A tietagem não vem apenas do público mais jovem. Jovens avós, que assistem ao show ao lado de netas, também suspiram e deixam escapar ousados elogios . “Ele parece que está na cama!”, solta uma senhora de cabelos brancos sentada próximo à minha mesa.

Ney canta de Rita Lee a Chico Buarque

Ney Matogrosso surge no palco às 21h, arrasando, ao interpretar Sergio Sampaio - morto em 1994 -,  que a plateia vai junto cantando o refrão “ Eu quero é botar/ meu bloco na rua/ brincar botar pra gemer...” Nesse trecho da música, Ney movimenta o pélvis causando euforia na galera.

— Obsceno, mas delicioso... , deixa escapar a senhorinha ao meu lado.

Em duas horas de show, acompanhado por uma banda de sete instrumentistas maravilhosos - teclado, contrabaixo, guitarra-solo, bateria, percussão e dois metais - Ney vai desfilando novas canções e velhos clássicos de um tempo  em que a MPB tinha algo a dizer.

Ney canta de Rita Lee a Chico Buarque, passando por Raul Seixas quando apresenta uma performance mais do que ousada ao interpretar A Maçã - “ Sofro mais eu vou te libertar”, canta quase sussurrando, jogando o corpo para trás , quase deitado numa cadeira de vinil.

Durante o show, que tem cenário audiovisual com estética de cinema, o artista quase não fala. Aliás, fala com a música e o corpo. Se limita  a dizer “obrigado” e a sorrir ironicamente quando alguém se manifesta de forna mais escancarada na plateia.

Ney se despede, mas, diante dos aplausos insistentes, cede e retorna ao palco para cantar a canção que marcou muito a sua carreira e a vida das pessoas que foram vê-lo. “Preparei uma supresa pra vocês ”, revela , antes de começar a cantar “Poema” , de Cazuza e Frejat - “Hoje eu acordei com medo /mas não chorei/ Nem reclamei abrigo...”.

O estilo Ney não morre nunca. Que show!

Mário Adolfo

Mário Adolfo

Jornalista formado pela UA, com mais de 40 anos de experiência. Dois prêmios Esso e criador do personagem Curumim, o Último herói da Amazônia.